Ele estava em seu quarto, deitado em sua cama e
completamente largado, só se ouvia o barulho do ventilador e de seus
pensamentos que ecoavam sem parar dentro de sua mente. O torpor inundava seu
corpo, o peso na consciência era pior que qualquer coisa, Eduardo jamais se
perdoaria por tamanha estupidez quando tomou tal decisão há quase um ano atrás,
tal decisão que o assombrava todos os dias, até mesmo em sonhos.
Ele olhou rapidamente para o lado e teve a impressão de tê-la visto em pé ao
lado da sua cama, mas ela não estava ali, ela era apenas um fantasma do passado
que talvez lhe perdurasse em mente por todo o resto de sua vida. Já pensava ser
impossível viver sem esse arrependimento.
O celular tocou, o toque era uma música que ouviu junto com sua ex-amada no primeiro dia em que ele a levou para conhecer sua casa: Wonderwall. Ele atendeu rapidamente, assustado, era sua namorada.
O celular tocou, o toque era uma música que ouviu junto com sua ex-amada no primeiro dia em que ele a levou para conhecer sua casa: Wonderwall. Ele atendeu rapidamente, assustado, era sua namorada.
- Oi amor, como você está?
Eduardo balbuciou algo como que se tivesse acabado de acordar.
- Desculpa, não quis te acordar, está tudo bem mesmo?
- Claro, não se preocupe, Lena. Só peguei no sono.
- Pode vir em casa hoje? Assistiremos alguns filmes, baixei um seriado novo, que por sinal parece ser muito legal.
- Hoje é sexta, poderíamos fazer algo mais agitado, né?!
- É, mas tipo o quê?
- Sei lá, talvez pudéssemos ir à algum barzinho na Avenida Camões, você sabe que lá sempre tem algumas músicas ao vivo e é bem legal.
-Ah, ok... pode ser, – respondeu meio retraída – que horas você passa aqui?
-Às 20h!
-Ok. Te amo, amor. Se cuida.
-Beijos, até mais tarde.
Eduardo balbuciou algo como que se tivesse acabado de acordar.
- Desculpa, não quis te acordar, está tudo bem mesmo?
- Claro, não se preocupe, Lena. Só peguei no sono.
- Pode vir em casa hoje? Assistiremos alguns filmes, baixei um seriado novo, que por sinal parece ser muito legal.
- Hoje é sexta, poderíamos fazer algo mais agitado, né?!
- É, mas tipo o quê?
- Sei lá, talvez pudéssemos ir à algum barzinho na Avenida Camões, você sabe que lá sempre tem algumas músicas ao vivo e é bem legal.
-Ah, ok... pode ser, – respondeu meio retraída – que horas você passa aqui?
-Às 20h!
-Ok. Te amo, amor. Se cuida.
-Beijos, até mais tarde.
Eduardo desligou o telefone e pensou até quando ele
aguentaria lidar com essa situação, ele precisava se resolver, ele precisava de
um jeito na sua vida. Mal conseguia responder “Eu também amo você”, rezava
todos os dias para dar um jeito nisso tudo, teimando consigo mesmo que ele era
o problema e que se ele não desistisse tão fácil, talvez tudo pudesse dar certo
dessa vez. Pelo menos dessa.
Levantou-se da cama e foi direto ao banheiro deixando suas roupas jogadas pelo caminho, precisava de um banho porque logo mais se encontraria com Helena.
[...]
Chegando ao Bar, eles se sentaram em uma mesa na frente, bem ao lado do corredor entre as mesas, onde se localizava o palco com todos aqueles instrumentos. Pediram duas caipirinhas de pinga com muito gelo e açúcar. A banda logo subiu ao palco, agradecendo ao público e disseram que começariam com uma música muito especial a pedido de um cara que queria fazer uma surpresa para a namorada na entrega da aliança. Helena ficou tão excitada, achando aquilo tudo tão romântico.
A banda, conhecida como Milenium, começou sua apresentação cantando Wonderwall. Eduardo logo tentou disfarçar o certo incômodo dentro de si, tentando evitar transparecer a inquietação que só aumentava, completamente sem sucesso. Bebeu quase meio copo da caipirinha que o garçom acabara de servir à mesa, enquanto sua namorada observava tudo aquilo sem entender seu comportamento.
As luzes do bar foram diminuídas e somente um holofote iluminava o rapaz no final do corredor, que caminhava lentamente em direção ao palco e sorria, ao seu lado estava uma garota, mais certamente sua namorada, que aparentava estar um tanto quanto confusa com toda a cena. Eduardo mantinha-se de costas para tudo aquilo, enquanto Helena se espichava na cadeira tentando enxergar melhor tudo o que acontecia.
Quando o casal que caminhava pelo corredor chegou na mesa do outro lado do corredor, bem de frente com Eduardo e Helena, o rapaz puxou a cadeira para sua namorada se sentar, e em seguida ajoelhando-se, ofereceu uma caixinha pequena preta com detalhes em prata para a garota, que toda envergonhada e com um sorriso nos olhos, pegou e abriu. Dentro havia um par de alianças.
Eduardo já incomodado com toda aquela história, e a música que parecia que já tocava há uma eternidade, virou-se para tomar ciência do que estava acontecendo, e se deparou com a cena chocante para seus olhos. Seu corpo tremia, o coração acelerou e sua face foi tomada pelo rubor da concentração do sangue. Era ela, a sua amada, a qual ele se arrependia até hoje de ter tomado tal decisão quando a abandonou, deixando-a sem nenhuma explicação. Helena ao perceber tudo o que acontecia bem embaixo do seu nariz, se retirou apressadamente da mesa, em direção à saída, forçando Eduardo a tomar a mesma atitude, que desviou o olhar de todo o público para eles enquanto saiam drástica e rapidamente do estabelecimento.
Helena pôs-se aos prantos na calçada, sentada a sarjeta ela vestia um lindo vestido verde esmeralda que modelava seu corpo magro e jovial encurvado. Eduardo sentou-se a seu lado e não tinha reação, apenas tentou aproximar-se porém levando um grande empurrão da namorada, que falava freneticamente para que ele se afastasse, culpando-o por toda a situação, dizendo que ela pediu para que ficassem em casa, mas ele simplesmente não lhe dava ouvidos, dizendo que sabia que ele não se sentia bem e feliz em sua companhia, que ela não era o suficiente e que havia se chateado por ele recusar o convite do filme em sua casa. Com toda aquela situação ele simplesmente não sabia o que fazer, voltou ao bar e pagou a conta rapidamente e fazendo a garota entrar no carro, seguiram para casa.
Levantou-se da cama e foi direto ao banheiro deixando suas roupas jogadas pelo caminho, precisava de um banho porque logo mais se encontraria com Helena.
[...]
Chegando ao Bar, eles se sentaram em uma mesa na frente, bem ao lado do corredor entre as mesas, onde se localizava o palco com todos aqueles instrumentos. Pediram duas caipirinhas de pinga com muito gelo e açúcar. A banda logo subiu ao palco, agradecendo ao público e disseram que começariam com uma música muito especial a pedido de um cara que queria fazer uma surpresa para a namorada na entrega da aliança. Helena ficou tão excitada, achando aquilo tudo tão romântico.
A banda, conhecida como Milenium, começou sua apresentação cantando Wonderwall. Eduardo logo tentou disfarçar o certo incômodo dentro de si, tentando evitar transparecer a inquietação que só aumentava, completamente sem sucesso. Bebeu quase meio copo da caipirinha que o garçom acabara de servir à mesa, enquanto sua namorada observava tudo aquilo sem entender seu comportamento.
As luzes do bar foram diminuídas e somente um holofote iluminava o rapaz no final do corredor, que caminhava lentamente em direção ao palco e sorria, ao seu lado estava uma garota, mais certamente sua namorada, que aparentava estar um tanto quanto confusa com toda a cena. Eduardo mantinha-se de costas para tudo aquilo, enquanto Helena se espichava na cadeira tentando enxergar melhor tudo o que acontecia.
Quando o casal que caminhava pelo corredor chegou na mesa do outro lado do corredor, bem de frente com Eduardo e Helena, o rapaz puxou a cadeira para sua namorada se sentar, e em seguida ajoelhando-se, ofereceu uma caixinha pequena preta com detalhes em prata para a garota, que toda envergonhada e com um sorriso nos olhos, pegou e abriu. Dentro havia um par de alianças.
Eduardo já incomodado com toda aquela história, e a música que parecia que já tocava há uma eternidade, virou-se para tomar ciência do que estava acontecendo, e se deparou com a cena chocante para seus olhos. Seu corpo tremia, o coração acelerou e sua face foi tomada pelo rubor da concentração do sangue. Era ela, a sua amada, a qual ele se arrependia até hoje de ter tomado tal decisão quando a abandonou, deixando-a sem nenhuma explicação. Helena ao perceber tudo o que acontecia bem embaixo do seu nariz, se retirou apressadamente da mesa, em direção à saída, forçando Eduardo a tomar a mesma atitude, que desviou o olhar de todo o público para eles enquanto saiam drástica e rapidamente do estabelecimento.
Helena pôs-se aos prantos na calçada, sentada a sarjeta ela vestia um lindo vestido verde esmeralda que modelava seu corpo magro e jovial encurvado. Eduardo sentou-se a seu lado e não tinha reação, apenas tentou aproximar-se porém levando um grande empurrão da namorada, que falava freneticamente para que ele se afastasse, culpando-o por toda a situação, dizendo que ela pediu para que ficassem em casa, mas ele simplesmente não lhe dava ouvidos, dizendo que sabia que ele não se sentia bem e feliz em sua companhia, que ela não era o suficiente e que havia se chateado por ele recusar o convite do filme em sua casa. Com toda aquela situação ele simplesmente não sabia o que fazer, voltou ao bar e pagou a conta rapidamente e fazendo a garota entrar no carro, seguiram para casa.
Aquela noite já fora um grande tormento, tudo o que eles
precisavam era de privacidade para ter aquela longa conversa que ele já
esperava ter há algum tempo. Ela estava com os nervos a flor da pele, sabia que
o amor que sentia por ele não era recíproco. Conversaram por horas e horas a
fio, ela insistindo que ainda poderiam dar certo, que ela iria melhorar e que
ele superaria tudo isso, mas ele continuava firme com suas palavras:
-Não dá mais, não posso mentir, você não merece passar
por isso mais, já é de se notar que nós não nos damos muito bem juntos, não dá
para continuar nessa situação.
-Eu quero tanto você, é tudo o que queria para minha vida, estar com você todos os dias, mesmo que matando o tempo sem fazer nada juntos. Mesmo estando farta de não ter respostas para meu “Eu te amo”, eu acredito que eu possa mudar, e me aprimorar, sei que sou birrenta e não te dou muita atenção e que tudo isso nos levou onde estamos hoje. Acredite em mim, por favor? Só não me deixe sozinha. Sei que você não tem certeza do que sente, mas fica comigo, acredite em mim, que eu posso ser melhor para você, que eu posso ser o suficiente.
-Eu acredito em você, sério, só não acredito mais em nós. Não dá para continuar assim. Está estampado na nossa cara que estamos empurrando isso com a barriga, Deus sabe o quanto eu tenho pedido para que isso desse certo, o sacrifício que tenho feito para fazer isso dar certo. Mas você me abandonou todas as vezes em que eu te convidava para sair comigo, você simplesmente ia embora e me deixava, me deixava sem explicação, depois pedia desculpas e dizia que mudaria, eu comecei a me sentir sozinho, deixado de lado, eu tentava acreditar que era bobagem da minha cabeça mas não era, você ia embora e mesmo que se sentisse culpada depois, continuava fazendo tudo do mesmo jeito. Eu cansei de falar sobre isso com você. Simplesmente não dá mais, agora eu sei como ela se sentiu quando eu a deixei... –ele parou, respirou, tentou voltar as palavras para dentro da boca mas não havia como. Sentando-se na beirada da cama, as lágrimas escorriam pelo seu rosto–. Você sabe que eu não posso mais continuar com isso.
-Então é esse o motivo? Você ainda pensa nela? É por isso que todo esse tempo você tem ficado comigo mas sua cabeça parecia tão ausente? Eu simplesmente sinto muito por você, agora eu realmente vejo que não há mais o que se fazer, realmente agora eu aceito o fim de tudo isso. Nós não temos jeito, talvez tenhamos sido apenas uma experiência de vida um para o outro, mas nossos destinos não se pertencem, não se cruzam lá na frente. E acho que nunca se cruzaram. Nós é que fomos burros o suficiente para tentar isso de diversas maneiras mesmo quando tudo conspirava contra nós. É, isso é um basta.
Ela agora se dirigia para a porta do quarto, quando Eduardo ofereceu uma carona para ela até em casa.
-Não, obrigada, eu chamo um táxi, não acho que eu vá aguentar ficar perto de você por mais alguns minutos, não sabendo que o amor que eu tanto sinto por você, você sente em dobro por ela.
Ela saiu deixando lágrimas por onde passava. Ele se sentou no chão do quarto, encostando-se na parede, e observando as lágrimas de Helena no seu carpete, misturando-se com as dele.
O mais difícil de admitir, era que havia tirado um peso de suas costas quando proferiu tais palavras que machucaram tanto o coração daquela garota, sentia-se mais leve, mais livre da culpa, mas também sentia-se muito frio por estar aliviado mesmo tendo quebrado o coração da jovem com tamanha crueldade.
O que ainda o atormentava era a imagem de sua verdadeira amada, agora mais do que nunca, era a imagem do casal no bar, felizes e sorridentes. Era mais um momento que chegara para se acomodar nos confins de sua mente como uma lembrança que se tornaria mais um de seus pesadelos diários.
-Eu quero tanto você, é tudo o que queria para minha vida, estar com você todos os dias, mesmo que matando o tempo sem fazer nada juntos. Mesmo estando farta de não ter respostas para meu “Eu te amo”, eu acredito que eu possa mudar, e me aprimorar, sei que sou birrenta e não te dou muita atenção e que tudo isso nos levou onde estamos hoje. Acredite em mim, por favor? Só não me deixe sozinha. Sei que você não tem certeza do que sente, mas fica comigo, acredite em mim, que eu posso ser melhor para você, que eu posso ser o suficiente.
-Eu acredito em você, sério, só não acredito mais em nós. Não dá para continuar assim. Está estampado na nossa cara que estamos empurrando isso com a barriga, Deus sabe o quanto eu tenho pedido para que isso desse certo, o sacrifício que tenho feito para fazer isso dar certo. Mas você me abandonou todas as vezes em que eu te convidava para sair comigo, você simplesmente ia embora e me deixava, me deixava sem explicação, depois pedia desculpas e dizia que mudaria, eu comecei a me sentir sozinho, deixado de lado, eu tentava acreditar que era bobagem da minha cabeça mas não era, você ia embora e mesmo que se sentisse culpada depois, continuava fazendo tudo do mesmo jeito. Eu cansei de falar sobre isso com você. Simplesmente não dá mais, agora eu sei como ela se sentiu quando eu a deixei... –ele parou, respirou, tentou voltar as palavras para dentro da boca mas não havia como. Sentando-se na beirada da cama, as lágrimas escorriam pelo seu rosto–. Você sabe que eu não posso mais continuar com isso.
-Então é esse o motivo? Você ainda pensa nela? É por isso que todo esse tempo você tem ficado comigo mas sua cabeça parecia tão ausente? Eu simplesmente sinto muito por você, agora eu realmente vejo que não há mais o que se fazer, realmente agora eu aceito o fim de tudo isso. Nós não temos jeito, talvez tenhamos sido apenas uma experiência de vida um para o outro, mas nossos destinos não se pertencem, não se cruzam lá na frente. E acho que nunca se cruzaram. Nós é que fomos burros o suficiente para tentar isso de diversas maneiras mesmo quando tudo conspirava contra nós. É, isso é um basta.
Ela agora se dirigia para a porta do quarto, quando Eduardo ofereceu uma carona para ela até em casa.
-Não, obrigada, eu chamo um táxi, não acho que eu vá aguentar ficar perto de você por mais alguns minutos, não sabendo que o amor que eu tanto sinto por você, você sente em dobro por ela.
Ela saiu deixando lágrimas por onde passava. Ele se sentou no chão do quarto, encostando-se na parede, e observando as lágrimas de Helena no seu carpete, misturando-se com as dele.
O mais difícil de admitir, era que havia tirado um peso de suas costas quando proferiu tais palavras que machucaram tanto o coração daquela garota, sentia-se mais leve, mais livre da culpa, mas também sentia-se muito frio por estar aliviado mesmo tendo quebrado o coração da jovem com tamanha crueldade.
O que ainda o atormentava era a imagem de sua verdadeira amada, agora mais do que nunca, era a imagem do casal no bar, felizes e sorridentes. Era mais um momento que chegara para se acomodar nos confins de sua mente como uma lembrança que se tornaria mais um de seus pesadelos diários.
AlexandreBarros, 8/12/2012.
Nenhum comentário:
Postar um comentário